O incontestável Pedro Rocha

Eu peguei no pé do Pedro Rocha, mas não sistematicamente como alguns faziam. Ainda no time de Roger Machado, Pedro era fundamental para o funcionamento tático da equipe. Minha crítica era pontual: atacante tem que fazer gol.

O amadurecimento e os treinos trouxeram essa capacidade ao camisa 32. Pedro Rocha foi vital na conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil e faz um 2017 excelente.

A venda – inevitável pela tentadora oferta e aliada à situação econômica gremista – nos tira um jogador que hoje é incontestável.

Pedro Rocha calou muitos e tenho certeza que deixará saudade para estes que o vaiaram. O futebol é assim, a vaia de ontem é o aplauso de amanhã. Assim como o contrário.

Obrigado, Pedro!

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Só Grêmio e Corinthians disputam o Brasileirão?

Justas são as críticas que alertam que o Grêmio poderia estar mais perto do Corinthians, ou até mesmo a frente, se não houvesse escalado somente reservas – ou em algumas oportunidades nem isso – em algumas partidas do Brasileirão. Particularmente, acredito que um time misto seria mais prudente. Porém, não podemos voltar no tempo.

Com alguns tropeços da equipe paulista, o Grêmio (e não só ele) perdeu a chance de estar mais perto do líder. Este fato parece ter incomodado não somente a torcida gremista, mas boa parte da imprensa, em especial a do centro do país.

A decisão de Renato Portaluppi, embora de acordo com a direção do clube, de ter poupado titulares inúmeras vezes é alvo de crítica ferrenha e até raivosa por parte de alguns jornalistas. Neste ponto, acredito que a figura de Portaluppi também desperte este desejo de uma crítica voraz contra ele. Além de machucar nossos rivais de cidade, o Homem Gol deixou outras vítimas pelo Brasil afora.

Soma-se a isso o fato de que é muito mais cômodo criticar um clube sulista do que um do centro do país. Na mesma medida em que o Grêmio perdeu (pelo menos até este momento) chances de chegar mais perto do Corinthians, Santos, Palmeiras e Flamengo também pecaram. Destaco os elencos e o poder aquisitivo de Palmeiras e Flamengo, que deveriam ser tanto ou mais criticados que o Grêmio. E o Atlético-MG, apontado como um dos melhores elencos do país?

A campanha do Grêmio até aqui é de campeão, basta comparar com outros vencedores da era dos pontos corridos. O Corinthians é a grande exceção até o momento. A cobrança de que só o Grêmio pode deixar o Brasileirão mais competitivo ao se aproximar do líder, galgada nas boas atuações do time de Portaluppi, podem ser justas, porém, existem mais clubes que podem desbancar o time paulista e trazer mais competitividade ao Brasileirão. Que eles também mereçam críticas.

A ‘culpa’ não é só do Grêmio.

A legitimação da vida

Basta você não publicar nada nas redes sociais por alguns dias, demorar a responder as mensagens no WhatsApp e pronto: “O que aconteceu?”, indagam os seus amigos mais próximos. Junto a este raciocínio vem o de que algo está errado, ou que o indivíduo está com algum problema.

Qualquer pessoa com um círculo mínimo de amizade e presente nas redes sociais é bombardeada diariamente com postagens das mais diversas. A ideia de uma vida perfeita e da felicidade plena é retratada em um bom dia ensolarado que no fim do dia dará lugar a imagem de um sorriso aberto que emana alegria, nunca esquecendo as refeições das mais diversas e encontros casuais e programados para se passar a mensagem de que se é sociável.

Todos nós fazemos inúmeras atividades no nosso dia a dia, porém, a publicação nas redes sociais – desde acontecimentos banais até o nascimento de um filho – é o que legitima a nossa existência. Pelo menos aos olhos de alguns. Para estes, é crime não estar presente no Facebook. Não registrar momentos dos mais variados no Instagram também é pecado. No Snapchat é até um erro perdoável, dependendo da sua idade, é claro.

A percepção de que ‘quem não publica, não vive’ tende a aumentar. Cada dia temos uma ferramenta nova para que o nosso dia seja contemplado aos olhos dos outros. Em contrapartida, já há os que utilizam menos as redes sociais no dia a dia e em seus momentos de lazer.

Tal comportamento, por si só, faz com que a experiência real seja distinta, afinal de contas, passar a noite bebendo no bar com o celular na mão é bem diferente do que apenas o utilizar para chamar um táxi na hora de ir embora. O que me permite ponderar: “Quem não posta vive mais?”

Embora seja sedutor compartilhar o que vivemos, a vida não precisa dessa legitimação das redes sociais. A legitimidade dela está no olhar real do outro, e não através de uma tela fria.

Pelo direito de reclamar

A história se repete: cotovelo de um jogador deles lesiona um atleta nosso. Como no ano passado, a agressão passa ilesa e nem falta é marcada. Coincidência? A reação da torcida é óbvia: revolta por mais essa lesão que tira nosso melhor zagueiro da estreia na Libertadores.

Não nos resta outra atitude a não ser reclamar da FGF e por consequência dos apitadores do Ruralito. E olhem só outra coincidência: Leandro Vuaden era o árbitro no Grenal em que Mário Fernandes também se lesionou, em 2012.

Nas redes sociais e em programas esportivos, essa reclamação da torcida gremista é tratada de forma irônica e até mesmo provocativa, como se o torcedor não tivesse o direito de defender seu clube e apontar possíveis dados que comprovem uma atitude sistemática e prejudicial contra a instituição.

Mais do que isso, alguns profissionais – do alto de sua humildade e sabedoria – tratam seu público com desrespeito e não aceitam uma opinião contrária, afinal de contas, pobres ouvintes/leitores/seguidores que nada sabem.

Os gremistas – como qualquer torcedor – têm o direito de defender seu clube e querer pautar o debate na mídia é mais um fator a ser explorado em um momento em que as redes sociais agendam a pauta jornalística.

Nós podemos sim acreditar que essas coincidências servem ao outro clube da cidade. Quem me prova o contrário?

Bolsonaro ou a navalha?

8h40min. Barbearia. O assunto era política. Falava que estamos carentes de uma referência. Citei apenas o nome de Brizola para exemplificar. Sou interrompido por um homem de meia idade.

– Tu está esquecendo de um nome.

Já imaginando a resposta, pergunto quem.

– Bolsonaro!

Um senhor ao lado do homem comemora:

– Também tem meu voto!

Para salvaguardar meu dia, me calei.

Nelson Motta, Tim e as risadas

Nesta semana assisti a uma entrevista que o genial Nelson Motta concedeu ao Roberto D’Avila, na Globo News. Qualquer papo com o Nelson me parece interessante, afinal de contas o cara tem história e conteúdo.

Lá pelas tantas a pauta foi a biografia do Tim Maia escrita por ele – que é muito boa, diga-se de passagem. Motta relatou que resolveu escrever o livro por ter uma gratidão com Tim. Segundo ele, o cantor foi a pessoa que mais fez ele sorrir na vida, e que este fato ele valorizava muito.

Talvez aí esteja um dos principais caminhos para que busquemos a improvável felicidade plena. Ter perto de nós quem nos faz rir e valorizar isso. Por mais dores que temos e teremos, não há sedativo melhor do que uma série de risadas.