Para além do tempo

Vivemos dias em que a percepção do tempo se dá por uma mensagem de áudio no WhatsApp, um vídeo no YouTube. Esta noção de tempo, embora presente em nosso cotidiano, não nos dá a exatidão dos dias que vivemos.

Desde que passamos para a final da Libertadores, remeto meu pensamento ao ano de 2007. Uma década é muita coisa! Reflita por segundos tudo que aconteceu na sua vida desde então. Bastante coisa, não?

Há uma década esperamos a reconquista da América. A noção de tempo fica mais nítida quando lembramos quantos insucessos vivemos em uma década. Quantas vezes paramos no quase, na trave, na falha e nas desilusões.

A conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil marcou nossa retomada. O Grêmio voltou a vencer e agora tem mais uma chance de pintar a América de azul, preto e branco.

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O tempo, que joga para longe o ano de 1983, traz o de 1995 para mais perto. Muitos dos que logo mais estarão torcendo pelo tricampeonato viram o gol de César. Alguns, só o do Dinho. E outros tantos anseiam por viver esta loucura que é ser campeão da Libertadores da América.

Nesta noite a nossa noção de tempo estará envolta de um sonho que busca mais uma glória. A terceira. Em poucas horas viveremos mais um momento inesquecível de nossas vidas.

O tempo é cruel. Nos domina com uma ansiedade avassaladora e que só terá fim quando o apito indicar o término de mais uma final de Libertadores.

O tempo nos marca. Ele é o senhor das nossas mais variadas lembranças. Que o 29 de novembro de 2017 reserve para a nação gremista mais um dia épico. Nós merecemos. Força, Grêmio!!!

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55 mil vozes pela glória

A vida nos proporciona momentos únicos: o nascimento de um filho, a consolidação de um grande amor, um almoço de domingo em família, viver as alegrias de nossos amigos etc. O futebol faz parte disso. É através dele que vivemos as mais variadas emoções. As derrotas nos fortalecem e fazem com que valorizemos as conquistas, as quais somos parte através do nosso apoio que vem das arquibancadas.

Nesta quarta-feira viveremos mais uma noite única, e em especial os 55 mil gremistas que irão testemunhar a nossa quinta final de Libertadores. Precisamos ter a exata compreensão deste momento. Não vamos simplesmente ir ver o jogo do Grêmio. Não vamos assistir a uma partida comum. Não se trata disso.

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Nós seremos fundamentais nesta final. E para isso, precisamos ter a ciência de que não interessam nomes e preferências. O que importa é o Grêmio! Cada erro merece um aplauso de incentivo. Cada acerto uma manifestação de apoio. É o Grêmio decidindo a Libertadores. Somos nós contra eles. É o sonho de conquistar a América mais uma vez. A sinergia torcida-time fez com que chegássemos na final, e agora ela precisa ser mantida e ampliada nesta noite história a qual faremos parte. Nós seguiremos fazendo a diferença!!!

A conquista do tricampeonato depende do meu grito. Do teu apoio. Do nosso alento!!! Faça valer o teu ingresso. Pense nos queridos gremistas que de outro plano torcem por esse título. Torça pelos milhões de gremistas espalhados pelo mundo. Represente os que não conseguiram estar entre os 55 mil. Alente incessantemente!!!

Vamos viver este momento único fazendo o que de melhor sabemos: torcendo pelo Grêmio.

O incontestável Pedro Rocha

Eu peguei no pé do Pedro Rocha, mas não sistematicamente como alguns faziam. Ainda no time de Roger Machado, Pedro era fundamental para o funcionamento tático da equipe. Minha crítica era pontual: atacante tem que fazer gol.

O amadurecimento e os treinos trouxeram essa capacidade ao camisa 32. Pedro Rocha foi vital na conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil e faz um 2017 excelente.

A venda – inevitável pela tentadora oferta e aliada à situação econômica gremista – nos tira um jogador que hoje é incontestável.

Pedro Rocha calou muitos e tenho certeza que deixará saudade para estes que o vaiaram. O futebol é assim, a vaia de ontem é o aplauso de amanhã. Assim como o contrário.

Obrigado, Pedro!

Só Grêmio e Corinthians disputam o Brasileirão?

Justas são as críticas que alertam que o Grêmio poderia estar mais perto do Corinthians, ou até mesmo a frente, se não houvesse escalado somente reservas – ou em algumas oportunidades nem isso – em algumas partidas do Brasileirão. Particularmente, acredito que um time misto seria mais prudente. Porém, não podemos voltar no tempo.

Com alguns tropeços da equipe paulista, o Grêmio (e não só ele) perdeu a chance de estar mais perto do líder. Este fato parece ter incomodado não somente a torcida gremista, mas boa parte da imprensa, em especial a do centro do país.

A decisão de Renato Portaluppi, embora de acordo com a direção do clube, de ter poupado titulares inúmeras vezes é alvo de crítica ferrenha e até raivosa por parte de alguns jornalistas. Neste ponto, acredito que a figura de Portaluppi também desperte este desejo de uma crítica voraz contra ele. Além de machucar nossos rivais de cidade, o Homem Gol deixou outras vítimas pelo Brasil afora.

Soma-se a isso o fato de que é muito mais cômodo criticar um clube sulista do que um do centro do país. Na mesma medida em que o Grêmio perdeu (pelo menos até este momento) chances de chegar mais perto do Corinthians, Santos, Palmeiras e Flamengo também pecaram. Destaco os elencos e o poder aquisitivo de Palmeiras e Flamengo, que deveriam ser tanto ou mais criticados que o Grêmio. E o Atlético-MG, apontado como um dos melhores elencos do país?

A campanha do Grêmio até aqui é de campeão, basta comparar com outros vencedores da era dos pontos corridos. O Corinthians é a grande exceção até o momento. A cobrança de que só o Grêmio pode deixar o Brasileirão mais competitivo ao se aproximar do líder, galgada nas boas atuações do time de Portaluppi, podem ser justas, porém, existem mais clubes que podem desbancar o time paulista e trazer mais competitividade ao Brasileirão. Que eles também mereçam críticas.

A ‘culpa’ não é só do Grêmio.

A legitimação da vida

Basta você não publicar nada nas redes sociais por alguns dias, demorar a responder as mensagens no WhatsApp e pronto: “O que aconteceu?”, indagam os seus amigos mais próximos. Junto a este raciocínio vem o de que algo está errado, ou que o indivíduo está com algum problema.

Qualquer pessoa com um círculo mínimo de amizade e presente nas redes sociais é bombardeada diariamente com postagens das mais diversas. A ideia de uma vida perfeita e da felicidade plena é retratada em um bom dia ensolarado que no fim do dia dará lugar a imagem de um sorriso aberto que emana alegria, nunca esquecendo as refeições das mais diversas e encontros casuais e programados para se passar a mensagem de que se é sociável.

Todos nós fazemos inúmeras atividades no nosso dia a dia, porém, a publicação nas redes sociais – desde acontecimentos banais até o nascimento de um filho – é o que legitima a nossa existência. Pelo menos aos olhos de alguns. Para estes, é crime não estar presente no Facebook. Não registrar momentos dos mais variados no Instagram também é pecado. No Snapchat é até um erro perdoável, dependendo da sua idade, é claro.

A percepção de que ‘quem não publica, não vive’ tende a aumentar. Cada dia temos uma ferramenta nova para que o nosso dia seja contemplado aos olhos dos outros. Em contrapartida, já há os que utilizam menos as redes sociais no dia a dia e em seus momentos de lazer.

Tal comportamento, por si só, faz com que a experiência real seja distinta, afinal de contas, passar a noite bebendo no bar com o celular na mão é bem diferente do que apenas o utilizar para chamar um táxi na hora de ir embora. O que me permite ponderar: “Quem não posta vive mais?”

Embora seja sedutor compartilhar o que vivemos, a vida não precisa dessa legitimação das redes sociais. A legitimidade dela está no olhar real do outro, e não através de uma tela fria.

Pelo direito de reclamar

A história se repete: cotovelo de um jogador deles lesiona um atleta nosso. Como no ano passado, a agressão passa ilesa e nem falta é marcada. Coincidência? A reação da torcida é óbvia: revolta por mais essa lesão que tira nosso melhor zagueiro da estreia na Libertadores.

Não nos resta outra atitude a não ser reclamar da FGF e por consequência dos apitadores do Ruralito. E olhem só outra coincidência: Leandro Vuaden era o árbitro no Grenal em que Mário Fernandes também se lesionou, em 2012.

Nas redes sociais e em programas esportivos, essa reclamação da torcida gremista é tratada de forma irônica e até mesmo provocativa, como se o torcedor não tivesse o direito de defender seu clube e apontar possíveis dados que comprovem uma atitude sistemática e prejudicial contra a instituição.

Mais do que isso, alguns profissionais – do alto de sua humildade e sabedoria – tratam seu público com desrespeito e não aceitam uma opinião contrária, afinal de contas, pobres ouvintes/leitores/seguidores que nada sabem.

Os gremistas – como qualquer torcedor – têm o direito de defender seu clube e querer pautar o debate na mídia é mais um fator a ser explorado em um momento em que as redes sociais agendam a pauta jornalística.

Nós podemos sim acreditar que essas coincidências servem ao outro clube da cidade. Quem me prova o contrário?