Maicondependência?

Um dos primeiros acertos do início do ano gremista, foi a consolidação de Maicon e Ramiro no meio-campo, ainda com Felipão na casamata. Depois da grave lesão do ex-jogador do Juventude, vários atletas atuaram ao lado de Maicon até que Walace se firmasse como o parceiro ideal do ex-são-paulino.

Tendência no futebol contemporâneo e de qualidade, a saída de bola com os volantes – assim com a chegada dos mesmos ao ataque – foi uma grande característica do Grêmio ao longo da excelente campanha no Brasileirão. Sem balões e com um toque refinado tendo início na nossa defesa, o Tricolor se mostrou como uma das equipes que melhor trabalha a bola na atualidade.

Até Edinho, taxado de brucutu, teve ótimas atuações jogando um bom futebol e dando ótimos passes e assistências aos jogadores de frente. Infelizmente ele está machucado e não pode substituir Walace – suspenso pelo terceiro amarelo – e muito menos Maicon, fora dos gramados por um mês. Sem esses três, fica clara nossa falta de opções para o setor, já que escalar Ramiro seria uma temeridade depois de tanto tempo parado.

Maicon é o coração do time. Sem ele, que faz a bola passar por todos os setores fazendo com que a equipe se movimente e confunda o adversário, perdemos muita qualidade. Prova disso é nossa campanha claudicante no segundo turno, que coincide com as recentes lesões do atleta.

E aí já começamos a imaginar como somos dependentes do nosso capitão. Além disso, a renovação de contrato também nos deixa pensativos sobre o Grêmio de 2016. Se foi a partir dos meio-campistas que demos nosso salto de qualidade jogando um futebol moderno, que a direção gremista e principalmente Roger tenham isso em vista no momento de pensar na renovação de Maicon (e que também levem em consideração as constantes lesões) e até mesmo na substituição dele com um atleta do mesmo porte, assim como a recomposição do grupo.

Nossas vitórias dependem da qualidade do nosso meio-campo.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com
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Vale o sacrifício?

Depois da patética derrota frente a Chapecoense, inúmeras questões sobre o Grêmio foram levantadas. Uma delas é a queda do rendimento de Luan, fato que tem um fator importante a ser analisado: o jogador está atuando com dores crônicas na sola do pé direito.

Claro que se o Departamento Médico gremista abaliza a participação do jogador nas partidas, a culpa não é de Roger. Afinal de contas, não escalar Luan seria uma aberração. Além das dores, também precisamos analisar a mudança tática do time com a entrada de Bobô, e o jogador mais afetado com ela foi Luan.

Mesmo fazendo um bom jogo contra o Santos, onde revezou com o camisa 13 na função de 9, Luan não repetiu tais movimentos durante a partida contra a Chapecoense, e muito pela boa marcação do time catarinense. Mas fica questão: é a mudança tática ou as dores que fizeram o rendimento de Luan cair?

Particularmente, acredito que o time fez dois segundos tempos terríveis nas últimas partidas e a crítica mais forte é em Luan por ele ser o grande destaque de nossa equipe. Porém, até que ponto sua lesão vem atrapalhando seu rendimento?

Acredito que usar ela como muleta para explicar as más atuações é erro. Se o jogador está com dor e isso o prejudica de maneira clara, não é melhor que ele não jogue e faça o tratamento adequado? Até porque, em breve poderemos estar na Libertadores e seria fundamental que ele começasse o ano em boa forma.

Luan faz falta fora do time, mas o manter na equipe com dor e abaixo do seu nível é o mais correto?

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

10.496

Eu fui um dos que mais torrei a paciência para que o jogo de ontem fosse adiado. Cá entre nós, num cenário tão devastador que Porto Alegre enfrentou de quarta para quinta-feira – com todos os reflexos sendo sentidos somente durante o dia de ontem – era temerária a realização da partida.

Porém, sem o Poder Público da capital sinalizar a organização do evento que a chegada do torcedor à Arena seria impossível, a peleia foi mantida. Quem foi ao jogo não enfrentou nada muito diferente dos outros dias. Claro que o entorno e algumas vias de acesso estavam com sérios problemas, mas tanto a chegada como a saída foram tranquilas.

Cético, não esperava mais de cinco mil torcedores na Arena. E não por duvidar da nossa torcida ou algo do tipo, mas no simples fato que vivemos ontem um dos dias mais atípicos da história recente de Porto Alegre.

Confesso que fiquei surpreso ao ver que 10.496 torcedores alentaram o Grêmio na noite de ontem e que foram fundamentais para a vitória que nos colocou muito próximo da Libertadores de 2016.

Não há dúvida, vivemos de loucura.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

Dois reforços para 2016

Olhando para esse time do Grêmio sinto falta de dois personagens: o porra loca que cobra o time dentro de campo quando as coisas não vão bem, e o homem gol. O primeiro talvez seja mais fácil de se achar, embora pense que ele deva ter qualidade para ser titular. Já o segundo, será o grande quebra cabeça para a direção gremista que precisa – sem dinheiro – contratar um jogador diferente do meio para frente.

Antes de mais nada, quero deixar claro que o homem gol não precisa ser necessariamente aquele centroavante aipim, muito pelo contrário. Neste atual esquema adotado por Roger, seria mais interessante que um avante de movimentação fosse o responsável por estufar a rede adversária. E vou mais longe, um meio campo com qualidade pode sim ser o grande jogador que nos falta no elenco atual.

Esse atacante/meia precisa nos dar aquela sensação de gritar gol antes de ele pegar na bola. Ele precisa ser aquele cara que no momento difícil chama a responsabilidade pra si, dribla dois e nos dá a vitória mesmo quando jogamos mal. E, o mais importante de tudo, precisa ser o homem gol dos jogos decisivos. Se não tivermos esse jogador – seja ele 10 ou 9 – no ano que vem, nossa busca por títulos será complicada.

E o mesmo ocorre para o porra loca que faz o time acordar quando estivermos jogando mal e em um momento delicado. Por mais que o futebol seja decidido na bola, em alguns momentos uma puxada de orelha e a motivação extra de alguém que seja respeitado pelo grupo pode ser um bom combustível para o time sair de campo vitorioso.

2016 é logo ali. Te liga, Grêmio!

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

Twitter e o português correto na TV

Ferramenta cada vez mais utilizada pelos programas televisivos, a participação do ~ amigo internauta ~ ganhou uma nova vida com o fortalecimento das redes sociais, principalmente o Twitter.

Tendo como característica a segunda tela e proporcionando postagens curtas, o Twitter reina absoluto quando o tema é a participação ao vivo em programas de TV. O “filtro” – que são as hashtags -, auxiliam os programas que fomentam a participação do telespectador através da rede social.

Por mais que a internet tenha sua linguagem própria, escrever bem ainda é sinônimo de cultura – ao menos para mim. Se na escola o português é uma matéria que atrai a atenção de poucos, para os profissionais de imprensa ela é vital. Justamente por ser um profissional da área, acredito que tais participações deveriam primar pela boa escrita.

Imagem: static.dotstore.com.br/
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Me incomoda o fato de ler opiniões com erros de português. Acredito que o papel dos veículos de comunicação também é a cultura, e quando levamos ao ar uma participação cheia de erros, estamos desrespeitando a nossa língua. Além disso, estamos acostumando as crianças – que ainda vão aprender a nossa língua – ao erro.

Penso que é de suma importância a participação da audiência em programas, tanto de TV como de rádio, porém, precisamos ter ciência que a mídia produz cultura, e ao permitir em seus espaços o mau uso da nossa língua ela presta, no mínimo, um desserviço.

A tarefa de escrever correto é complicada e requer estudo e leitura contínua, mas como vamos melhorar nosso texto se lemos um português cheio de erros? Preste atenção nessas participações e conte quantas estão bem escritas.

Evidente que tudo começa com um ensino qualificado ainda na escola, mas permitir e divulgar que os erros sejam repetidos é tão grave quanto trocar o v pelo f.

A racionalidade da eliminação

Pode parecer frio e falso o que vou escrever, mas garanto que é a pura verdade: não fiquei decepcionado com a nossa eliminação da última quarta-feira. Sai da Arena cabisbaixo, é claro, mas sem raiva e com a esperança de ver o atual trabalho de Roger e jogadores sendo recompensando num futuro. Evidente que precisamos saber onde erramos e corrigir as nossas falhas, mas é nítido que o Grêmio tem feito quase o impossível com o que possui.

A prova de que o trabalho de Roger até aqui é de excelência, é de que além da surpreendente terceira posição no Brasileirão, muitos torcedores acreditaram no título da Copa do Brasil, o que levou alguns a uma decepção (mais uma) dolorosa. Se formos racionais e analisarmos o nosso time/grupo me parece que não temos ainda condições de ser campeões. Algumas peças são fundamentais (Geromel e Maicon) e um time campeão não pode se ressentir delas em um momento decisivo. É aí que entra a força do plantel, e o nosso carece de mais qualidade.

Concordo quando alguns afirmam que do Fluminense nós poderíamos ter passado. Claro que sim, mas é preciso ver mérito em nosso adversário. Nossa maior falha (ao meu ver) foi ter se contentado com o 0x0 no Maracanã. Um gol nosso na partida de ida e o confronto aqui seria outro. Todos eram sabedores que os cariocas jogariam por uma bola aqui, e foi o que fizeram. Nos faltou qualidade para a virada, que foi dificultada por uma partida de exceção do Fluminense. É do jogo, ou o Grêmio nunca fez algo parecido contra um time de melhor qualidade? O mata-mata possibilita tal façanha.

Além do trabalho dentro de campo, o Grêmio passa por avanços importantes. A implantação do SAP na área administrativa do clube e também no futebol será uma ferramenta contemporânea que ajudará inúmeros processos da instituição. A compra do direito de exploração da Arena será mais um trunfo que nos dará fontes de receitas que serão fundamentais para o fortalecimento do quadro social e por consequência do futebol.

Tento ser racional ao máximo, mesmo que essa coisa louca chamada futebol nos tire a razão a cada 90 minutos. Resgatando a perspectiva quando do anuncio de Roger como nosso treinador e o que poderíamos fazer em 2015, não tenho como me decepcionar quando penso no Grêmio do dia 2 de outubro.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com