As águas de março

É pau, é pedra, é clássico, é Libertadores. A primeira quinzena de março nos traz os desafios mais importantes até agora. No dia 2, estreamos em casa pela Libertadores contra a LDU. No dia 6, é a vez do clássico Grenal válido pelo Ruralito e pela Primeira Liga, onde só a vitória nos coloca na próxima fase. Para fechar, dia 9 enfrentamos o San Lorenzo na Arena e dia 15 vamos até a Argentina iniciar o segundo turno da fase de grupos da Copa. Ufa!

Os dois jogos pela Libertadores serão vitais, e muito pela nossa ridícula estreia no México. Fazer seis pontos é obrigação para que tenhamos chance de classificação num grupo que se vislumbra – e já era imaginado – como um dos mais difíceis da competição.

No meio dessa obrigação por triunfos está um clássico. Partida essa que tem uma importância a mais por valer uma vaga na semifinal da Primeira Liga, competição que teve no presidente Romildo Bolzan um de seus idealizadores e que tem uma tarefa inicialmente política mas que também vale um caneco.

Terminando essa primeira quinzena determinante, vamos à Argentina – não sabemos em que condições de tabela – precisando somar pontos, afinal de contas vamos mais uma vez encarar a altitude no jogo seguinte pela Copa, no Equador contra a LDU.

Mesmo tendo um início de ano claudicante, precisamos estar ao lado do clube na próxima semana, onde os três jogos na Arena decidirão nosso futuro neste primeiro semestre. Que as vitórias – principalmente na Libertadores – venham mesmo que não tenhamos apresentações como as do ano passado. Isso não é importante neste momento. Claro que é melhor vencer e convencer, mas precisamos somar pontos e se classificar para o mata-mata.

O clássico é um fator que neste momento vai atrapalhar, mas que também devemos encarar com a devida seriedade que o jogo pede e arrancar a vitória seja atuando com titulares, time misto ou reservas. A semana que começa dia 2 e se encerra no dia 9 – além de judiar de nossos fígados – vai ser de intensa mobilização em prol das vitórias.

Que as águas de março nos tragam felicidades.

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

Anúncios

Os abusivos R$ 3,75

O que eu vi no primeiro dia do ‘novo’ transporte público de PoA.

Moro na zona leste. Fui e voltei do trabalho, no centro.

Mesmos veículos apenas com adesivos do consórcio só que em outras linhas – fácil notar para quem utiliza ônibus no mesmo horário.

Contei sete carros – os verdes que atendem a região – novos. A tabela horária idêntica a anterior.

Ou seja, R$ 0,50 a mais pelo serviço ineficiente de ‘antes’.

Ainda não entendi

Expectativa é uma merda. Tivemos um belo baque na estreia da Copa, e muito porque tínhamos em mente – e creio que ainda temos – que nosso time e grupo são fortes.

O resultado e a atuação foram decepcionantes e a raiva da torcida para com a equipe é mais do que justa. Entender os motivos que nos levaram a derrota é papel da diretoria, comissão técnica e grupo de jogadores.

Enquanto torcedor, ainda estou tentado entender o que aconteceu no México. Onde esteve aquele Grêmio ousado, aplicado taticamente e com gana de vencer que vimos ano passado?

Se há alguma coisa a tirar de positivo da estreia, é que há tempo para arrumar todos os defeitos apresentados.

Até o dia 2 de março vou tentar entender o que aconteceu…

Publicado originalmente em Grêmio Libertador

Não sabemos mais torcer

Meu gremismo veio de família. Já no berço fardava a camisa tricolor e o amor pelo Grêmio aconteceu sem ao menos eu entender o que era futebol. A torcida, aquela que temos de maneira incondicional ainda na infância, me levou a acompanhar ainda mais o clube no seu dia a dia. Sendo assim, me considero um torcedor ‘doente’. Não mais gremista do que qualquer outro torcedor, mas apenas um cara que busca o melhor para o clube em qualquer situação.

Torcer nada mais é do que acreditar que mesmo na dificuldade vamos vencer. É também apontar erros buscando a correção dos mesmos para que vitória venha. Mas é, acima de tudo, ser positivista sempre. É ter aquele sentimento despertado ainda na infância e que nos cega num momento de descrença e que nos faz acreditar no inviável.

Atualmente, onde todos têm voz através das redes sociais, essa torcida (de todos os clubes) parece estar em extinção. O que vemos – principalmente em dias de resultado negativo – é uma enxurrada de pessimismo e críticas infundadas sobre qualquer aspecto que compreende o time e a instituição. Claro que sou favorável a livre manifestação, mas até que ponto essa intolerância está ligada ao nosso sentimento de torcedor? Por que a raiva, a cobrança excessiva e o negativismo reinam absolutos na timeline?

Meu sentimento é que perdemos o dom de torcer. Não temos mais a capacidade de alentar o time independente da situação. Nos tornamos insatisfeitos, revoltados e sem aquela paixão que nasce desde cedo pelo time do nosso coração. Além disso, perdemos o respeito por opiniões diferentes das nossas e o poder de um debate sem partir para a imposição de uma ideia goela baixo – mal que vale para outros aspectos do nosso cotidiano.

Em uma sociedade que tem voz e parece querer manifestar apenas suas frustrações, o futebol é mais uma vítima da amargura presente no nosso dia a dia e que é reverberada nas redes socais. Não pensamos, não debatemos, não respeitamos e não torcemos.

Originalmente publicado em Grêmio Libertador