Testando Lincoln

Há anos não ficávamos tão eufóricos com um jogador oriundo da base como estamos com Lincoln. O moleque – já em 2015 – deu alguns sinais de que é de fato diferenciado. Este ano, com um time mais estabilizado, um ambiente propício e um técnico que lhe auxilia além das quatro linhas, Lincoln surge como aspirante a ídolo da nação gremista.

Em contrapartida, não podemos colocar nos ombros do guri a responsabilidade de nos levar a conquistas. Ele pode ser peça importante, mas pela sua idade tem, e terá, todo o direito de não ser protagonista neste momento. Claro que pelo seu futebol que se confirma como de excelente qualidade, ele pode vir a ser a peça chave do time, mas isso seria um feito extraordinário. Digno de um craque.

Enquanto isso, suas boas atuações no Ruralito já o fazem merecedor de uma chance entre os titulares – além do gol importantíssimo pela Libertadores. E aqui registro meu lamento por Roger não ter o colocado no banco no jogo da Arena contra os argentinos. Se na maioria das vezes Lincoln atuou no lugar de Douglas, neste domingo os dois jogarão juntos.

Particularmente, gostaria que Lincoln jogasse no lugar de Douglas. Mesmo atuando pelo meio, Lincoln tem intensa movimentação – criando jogadas com os extremos do 4-2-3-1 -, boa chegada na área e um ótimo poder de finalização, características que Douglas não consegue exercer em sua plenitude.

Lincoln deve atuar pelo lado esquerdo e trocar de posição com Éverton durante a partida, movimento tático comum no time de Roger. Com bola no corpo, ele tem tudo para atuar bem jogando em qualquer lugar, porém, a questão que me parece mais clara é onde ele pode render mais. E creio que Roger usará o Ruralito justamente para isso. Onde Lincoln será mais útil?

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

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A importante volta de Walace

Todos nós lamentamos – e com razão – a ausência de Bolaños, porém, uma peça fundamental também nos fez falta: Walace. O volante, que além de proteger a zaga tem bom passe e chegada na frente, está de volta aos gramados depois de um período fora por lesão.

O desfalque de Walace ficou mais grave pela ausência de Ramiro, que voltou há poucas semanas de lesão. Sem um substituto com suas características, o Grêmio perdeu um pouco a saída de bola qualificada além da boa chegada na frente que o volante possui.

No jogo contra o San Lorenzo isso ficou muito claro, já que os argentinos deram liberdade para Edinho jogar e marcaram Maicon de cima. Edinho é cumpridor de função e nitidamente não possui a mesma técnica de Walace, o que fez com que nossa saída de bola fosse ruim.

Pensando no jogo de Quito, a volta de Walace é vital, já que Maicon está suspenso. A dúvida é quem jogará ao seu lado. Pelas características, gostaria que Ramiro formasse a dupla com ele, assim nosso meio-campo, na teoria, teria uma boa saída de trás.

Que Walace volte bem e que chegue no jogo no Equador jogando tudo que sabe.

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

O Grêmio do Geromel

‘Imagina se ele faz esse gol’ certamente foi a frase que mais reverberou na Arena após o petardo de Pedro Geromel explodir na trave do goleiro argentino, durante o empate da última quarta-feira. Novamente o zagueiro foi nosso destaque e parece ser, atualmente, nossa grande referência técnica, de garra e idolatria.

A confiança que temos em Geromel transcende qualquer admiração recente por um atleta que passou pelo tricolor nestes anos sem títulos. Além disso, o zagueiro parece vestir não só nossa camisa, mas também todo o espírito que cada gremista carrega em seu peito.

Dentro de campo, Geromel nos entrega os desejos que queremos ver em todo atleta que vai para as quatro linhas trajando azul, preto e branco. Não só relativo a entrega, afinal de contas de nada adianta se faltar futebol, mas Geromel consegue ter o futebol e a raça que sempre valorizamos.

Ter na nossa zaga um atleta desse naipe é ver o Grêmio em seu esplendor. É a certeza de que mesmo em momentos difíceis ainda é preciso lutar e acreditar na vitória, e aí cito mais uma vez o chute inesperado e de longa distância desferido pelo zagueiro, que prova sim que precisamos acreditar sempre.

Há anos merecíamos um Geromel em nossas fileiras. Não sei se para nos tirar da fila ou apenas para que tenhamos orgulho de que um dia o Grêmio teve um jogador deste porte em seu time. Geromel é o grande orgulho da nação gremista neste início de 2016 e é através dele que nossas esperanças são renovadas a cada jogo.

Os deuses do futebol jamais serão perdoados se Grêmio, sua torcida e Geromel não contemplarem esta idolatria com uma taça.

Originalmente publicado em Grêmio Libertador

 

Domingo de afirmação

Que baita Grêmio vimos quarta-feira. A vitória veio como desejamos: boa atuação, gol do Miller e para dar moral. A hora agora é de manter este nível do jogo contra a LDU e de uma vez por todas recuperar o bom futebol de 2015. Fácil? Claro que não, mas nada melhor do que um clássico para que a afirmação ocorra.

Gostei muito das entrevistas pós jogo onde todos os jogadores disseram que querem jogar o clássico. Ótimo! Vale lembrar que a partida também é válida pela Primeira Liga, e só uma vitória nos mantém na competição. O ponto importante na questão de que todos querem jogar, é que com a qualidade do grupo, alguns atletas sabem que a competição pela vaga entre os onze é acirrada e não querem dar brecha para os reservas. E isso é muito bom!

Falando especificamente do ataque, onde a qualidade do nosso grupo é notável, Éverton e Henrique Almeida vieram do banco e marcaram. Não que Bolaños e Luan estivessem jogando mal, pelo contrário, mas isso mostra que a qualidade do time se mantém independente de quem está em campo.

Nossa zaga ainda precisa de alguns ajustes e o fato de não sofrer gol precisa ser ressaltado, como também a ausência de Walace que protege bem o setor. O mesmo vale para os laterais, que se ofensivamente dão boas repostas, mas em determinados lances defensivos pecam. Mas isso só o dia a dia e o trabalho feito por Roger vão corrigir.

A goleada frente a LDU foi o empurrão que o time precisava para começar bem essa primeira e decisiva quinzena de março. Que este embalo nos faça ganhar o clássico deste domingo.

Originalmente publicado em Grêmio Libertador 

Eu, a chuva e os Stones

A pergunta que mais respondi hoje foi “como foi o show?”, ou melhor, tentei responder. Quando foi anunciado oficialmente que os Rolling Stones tocariam em Porto Alegre, eu e milhares de fãs sabíamos que se tratava de uma oportunidade única – e não por achar que os caras fossem morrer (cada dia mais duvido disso) agora, e sim porque era impossível crer que PoA estava no roteiro da turnê.

Como nunca tinha visto os caras, ou ‘velhinhos’, tinha certeza absoluta que ia ficar completamente maluco quando o primeiro acorde fosse disparado, mas foi mais que isso. A chuva que foi intensa horas antes do show tinha cessado, mas antes de Jumpin’ Jack Flash acabar ela voltou com tudo. Foi como se os deuses do rock derramassem uma poção sobre a banda e público fazendo das 2h10min da noite do dia 02/03/2016 um êxtase coletivo.

Carlos Lopez
Foto: Carlos Lopez/rollingstones.com

Encantamento este que ainda mora em cada alma que esteve no show de ontem. Estou anestesiado. Não consigo tirar a minha mente de cada momento que vivi vendo a maior banda de rock da história em seu esplendor. É lugar comum falar do profissionalismo dos caras, mas ontem, esse elo que foi a chuva – por vezes torrencial – conectou banda e público de uma maneira inexplicável.

Cada gota d’água amenizava o calor que nossas almas foram envolvidas num espetáculo proporcionado por músicos carismáticos, talentosos, felizes e que estavam ali para se molhar conosco. Queriam curtir o show como se fossem uma banda de garagem buscando seu lugar ao sol. E conseguiram mais que isso. Marcaram a vida de todos para sempre.

A ressaca de hoje é cerveja, claro, mas é também uma busca por tentar entender o que eu presenciei ontem. Sobre a pergunta que inicia este texto, minha reposta é simples: não sei.