Perguntas

Confesso não conseguir raciocinar minimante depois do terrível jogo de quarta. Por isso, deixo apenas algumas perguntas. Acredito que algumas já foram respondidas, mas como disse, não estou raciocinando.

Por que não foi explicado logo no diagnóstico de Luan o motivo pelo qual o grupo de jogadores não foi vacinado contra caxumba imediatamente?

Por que ninguém chega no juiz durante os 90 minutos quando nossos adversários fazem o oposto?

Por que o Geromel não é o capitão?

Por que o comportamento do time é o mesmo em termos anímicos estando vencendo ou perdendo?

Por que a torcida vaia o time aos cinco minutos do primeiro tempo?

Por que tomamos gols ridículos?

Por que não jogamos feio quando nossa característica de jogo não está funcionando?

Por que em momentos de decisão o time parece padecer psicologicamente quando está em dificuldade?

Por quê?

 

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

Anúncios

E a Libertadores?

O que mais me preocupou depois do jogo de ontem é como a semifinal do Ruralito vai interferir no nosso jogo pela Libertadores, na próxima quarta-feira frente ao Rosário Central. Depois de duas vitórias e a classificação na competição sul-americana, o péssimo resultado de ontem vai, de uma forma ou outra, entrar em campo no dia 27.

Defendo o fim dos estaduais, para mim eles só atrapalham o nosso calendário. Em contrapartida, já que estamos disputando e a direção afirma que o título é importante, teremos que reverter essa situação no domingo. A escolha de um time misto ontem me pareceu acertada, embora a má atuação diga o contrário. Mas valeria correr risco escalando mais titulares num espaço de 48 horas? Me parece que não.

Nossas falhas foram claras e servem para que a direção veja onde devemos reforçar nosso elenco para o resto do ano, como no setor defensivo por exemplo. Fato é que o jogo de domingo nos trará um esforço físico e mental. Independentemente do resultado, tais aspectos vão aparecer contra o Rosário, além é claro do ambiente desconfiado ou confiante da torcida.

A reversão é possível, evidente. Porém, não podemos esquecer que nosso grande objetivo neste primeiro semestre é a Copa. Precisamos ser inteligentes e não deixar que o resultado de domingo – seja ele qual for – nos atrapalhe na busca pelo tricampeonato da América. Até porque, o time argentino é pedreira.

Como tudo tem seu lado bom, ótimo ver Bolaños de volta.

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador 

O correr certo

Não há dúvida que a questão da preparação para o jogo de quarta-feira foi primordial para o nosso resultado positivo. Mesmo a literatura e a prática colocando em dúvida qual a melhor maneira de encarar a altitude, a semana que ficamos no Equador no ajudou. Além disso, todo o trabalho tático feito por Roger foi o responsável pela nossa classificação.

Após a péssima partida na Argentina, o Grêmio parece ter voltado a realizar movimentos que fizera em 2015. A partir de então, os resultados e boas atuações foram consequências naturais. Diferente do que fizemos no México – e com outra formatação tática – fomos mais compactos contra a LDU e com um maior poder de marcação, com os jogadores de lado (Giuliano e Luan) voltando o tempo todo para fechar o espaço e ajudar os laterais. E exemplifico no mapa de calor do nosso camisa 7 essa postura.

Luan LDU

Com a bola no pé, outro fator diferente do que nos levou a derrota frente ao Toluca: o acerto de passe. Isso fica claro nos dois primeiros gols, onde tivemos o controle da bola por um bom tempo e finalizamos no momento certo depois de ampla movimentação do quarteto final. O primeiro gol lembrou muito o Grêmio da paciência com a bola de 2015.

A altitude e suas dúvidas são fatores relevantes em confrontos acima do nível do mar e sempre serão. A grande diferença do jogo de quarta-feira para nossa estreia no México foi a nossa postura. Um time organizado e que sabe trabalhar a posse de bola pode até passar trabalho devido ao desgaste físico, mas a chance de um triunfo aumenta.

Méritos para Roger e aos jogadores que foram disciplinados e que fizeram uma ótima partida. Estamos evoluindo, e isso é fundamental.

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

O coringa da 8

Ao mesmo tempo em que Lincoln foi alçado a novo craque, Giuliano virou perna de pau. O torcedor é assim e boa parte da imprensa – infelizmente – também. A paixão do torcedor eu entendo, a passionalidade nos faz irracionais. Agora, o profissional que tem por dever realizar uma análise mais ampla não pode ser tão simplista assim.

Digo isso porque Giuliano, embora jogando pouco devido a sua lesão e buscando uma melhor forma, vem sofrendo críticas sistemáticas. A mais recente, feita pelo cara que ainda está esperando o Cuca no aeroporto, diz o seguinte: “Nem Giuliano sabe onde seu futebol está escondido.” O texto é de segunda-feira.

A opinião do ilustre colega é recheada de preconceitos pelo alto salário (?) que o jogador recebe, além disso, coloca na boca da torcida um possível esquecimento das boas atuações de Giuliano. A torcida, por mais passional que seja, sabe a importância que o meio-campista tem para o time, ao contrário do ilustre amigo do Cuca. Nós sabemos que a lesão o atrapalha e ao mesmo tempo reconhecemos que ele precisa de uma sequência de jogos para voltar a jogar bem. E a prova foi o jogo desta quarta-feira.

Com ótima movimentação pelos lados, ajudando os laterais e chegando na frente, Giuliano fez linda jogada para o gol de Bobô e também deixou o seu na vitória de goleada, fazendo a análise do estudioso (?) do futebol ir pelo ralo. O camisa 8 tem papel importante no Grêmio de Roger, e muito por sua capacidade tática. Em inúmeros jogos, além de jogar pelas pontas do 4-2-3-1, Giuliano também atuou como volante, provando ser uma espécie de coringa dependendo da situação do jogo.

Giuliano teve papel fundamental no bom trabalho do ano passado e será peça chave no Grêmio de 2016. Por fim, deixo um questionamento: os colegas costumam ser mais cruéis ao analisar o futebol de Giuliano devido ao seu passado?

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador

Bobô não é bobo

1º de abril. Dia da mentira. Dia dos tolos. Dia dos bobos. Entre as verdades recentes do esporte bretão, além do ‘não existe mais bobo no futebol’, a afirmação de que o camisa 9 clássico não existe mais também povoa o pensamento de alguns.

Partindo da definição tosca de que o camisa 9 antigo era o tal do ‘centroavante aipim’, é lógico que este tipo de jogador está em extinção. Mas única e exclusivamente pela evolução do jogo. Num passado recente, onde os homens de frente e principalmente o centroavante pouco ajudavam na marcação, esse tipo de jogador teve seu espaço. A medida em que evoluções táticas foram realizadas, não permitindo mais esse sossego a quem joga na frente, o papel do 9 mudou.

Bobô chegou ano passado num Grêmio consolidado sem a figura do centroavante. Luan, num toque tático contemporâneo de Roger, virou falso 9. E falso em termos, porque seu papel era sim o de marcar gols, o que mudou foram suas funções táticas, as quais Bobô sempre exerceu quando entrou no time.

Criticado por alguns, Bobô sempre foi útil ao time, se adaptando ao esquema e não sendo o 9 aipim imaginado por alguns. A prova disso é que ele tem boa movimentação e inúmeras vezes dá assistências para seus colegas finalizarem. No joga da última quarta, além de marcar o dele serviu Walace fazendo o papel de pivô.

Bobô não é e nunca vai ser um camisa 9 de exímia técnica, e é erro esperar isso dele. Porém, até agora vem sendo peça importante ao time que ao longo do ano precisará muito de todo o elenco.

*Originalmente publicado em Grêmio Libertador