Um técnico em campo

É consenso que começamos bem o jogo de sábado e deixamos de matar a partida no segundo tempo, ainda mais depois da expulsão do zagueiro adversário. Na primeira etapa, evoluímos na movimentação dos meias e eles se aproximaram da área, entretanto, nosso 9 não recebeu uma bola para concluir.

Nossos laterais, ou melhor, nosso único lateral chegou ao ataque mas pouco criou. Já Saimon, fez bons lançamentos, mas raramente passa da intermediária ofensiva, deixando Luan sozinho para criar jogadas pela esquerda. Ainda há muito o que arrumar no quarteto final. A zaga segue segura. Ramiro e Riveros formam uma boa dupla, marcam, jogam, ocupam espaço.

Mas a questão que fica é por que não tivemos ambição de fazer o segundo gol? Acompanhando o jogo pela TV, a todo momento o repórter de campo relatava que Enderson Moreira pedia para o time ir para cima. Faltou o quê, então?

Em sua entrevista pós-jogo, Enderson afirmou que de fato o time se acomodou e acabou correndo riscos. Será que ninguém dentro de campo tem o perfil para dar uma chamada no time e alertar para isso? Jogos também são decididos através da personalidade e atitude de jogadores.

Essa apatia pode ser retrato do nosso treinador, é claro. Precisamos de ‘treinadores’ dentro das quatro linhas para notarem tais mudanças e mudar rapidamente essa postura. Atletas que têm mais experiência precisam comandar o time durantes os jogos, nem que seja através da motivação. Enderson é o grande responsável pelos nossos resultados e atuações, mas também não é o único.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com

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Em busca do gol

Das opções ofensivas: Jean Deretti, Rodriguinho, Alán Ruiz, Maxi Rodríguez, Dudu, Luan, Giuliano, Fernandinho, Barcos, Lucas Coelho e Everton. Contou? São 11 jogadores. Podemos somar também o agora volante Zé Roberto, Ramiro e Riveros, que chegam bem no setor ofensivo. O número final é 14.

Este total proporciona a Enderson Moreira uma quantidade enorme de alternativas táticas e técnicas como há anos qualquer treinador do Grêmio não tinha. Se a parada da Copa do Mundo ofereceu tempo para se trabalhar dentro de campo, a direção Tricolor também usou o hiato para contratar reforços de qualidade. Na teoria, estamos mais fortes.

Esse potencial ofensivo precisa se confirmar. Enderson tem obrigação de fazer o setor de ataque funcionar. O Grêmio passa a ter capacidade de jogar de forma qualificada. Não existe mais espaço para desculpas. Tivemos tempo e agora temos bons nomes. O trabalho tem que aparecer.

Quando me refiro a trabalho, quero destacar o sistema tático. O baile alemão da última terça-feira deixou claro que um time que apresenta inúmeras variações dentro de um mesmo jogo fica mais perto da vitória. Além disso, a intensa movimentação e aproximação dos jogadores, faz com que o time não fique espaçado, ocupe bem os setores do campo, jogue perto e em velocidade. Futebol moderno e objetivo que procura sempre o gol.

Enderson tem uma grande oportunidade de fazer o Grêmio acompanhar esta evolução recente que vive o futebol. Se ele carrega essa marca de uma safra nova de treinadores que estudam o esporte, está na hora de a teoria se tornar prática.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com

É no campo

O jogo de ontem entre Brasil e Chile colocou no centro do debate a questão emocional dos atletas brasileiros. Para alguns, ela está sendo fundamental para o mau desempenho da seleção. Já para outros, é apenas uma cortina de fumaça que esconde problemas técnicos e táticos do escrete canarinho.

Se fosse para escolher um ponto de vista, ficaria com o segundo. Entretanto, penso que o problema emocional está atrapalhando a seleção, e muito porque Felipão não consegue dar um padrão ao time. O esquema tático está superado e o bigodudo parece estar sem criatividade para mudar o esquema e as partidas, ou seja, as más atuações e o medo da eliminação eminente estão afetando o lado emocional de um time sem alternativas, ou melhor, com uma alternativa: Neymar. Além disso, jogar em casa pressiona ainda mais a família Scolari.

Desde 2001 sem uma conquista expressiva, a pressão por títulos é uma rotina gremista. Conforme o jejum aumenta, jogadores, comissão técnica e dirigentes têm que conviver não só com adversários, mas também com essa ansiedade que a torcida carrega há anos.

Por mais que essa nossa ansiedade possa atrapalhar em determinados momentos, penso que ela nunca será um fator determinante. O que precisamos para voltar a vencer é jogar um bom futebol com alternativas táticas e criativo.

Acredito que com o elenco atual, Enderson Moreira pode fazer um excelente trabalho. A pressão da torcida deve ser respondida dentro de campo, com uma equipe competitiva e pronta para vencer, inclusive considerando aspectos emocionais.

Seja o Brasil ou o Grêmio, as questões extra-campo serão deixadas de lado se dentro das quatro linhas o futebol apresentado for promissor. Se Felipão está tendo dificuldades em fazer a seleção jogar bem, que Enderson aproveite essa pausa e dê ao Tricolor a cara de uma equipe vencedora, afinal de contas, é na cancha que se vence.

Publicado originalmente gremiolibertador

Refém de um esquema

A Copa do Mundo está confirmando uma nova tendência: o fim do camisa 10. Ou melhor, o seu reposicionamento. Aquele jogador que municia o ataque e cadencia o jogo já não tem tanto espaço entre as seleções que disputam o Mundial. Entretanto, jogadores com este perfil jogam um pouco mais atrás, dando melhor saída de bola e fazendo laterais e meio-campo jogarem.

No futebol brasileiro isso não é diferente. A maioria dos times joga no 4-2-3-1, esquema da moda e que privilegia meio-campistas de velocidade e boa chegada na frente. Giuliano, que tem essas características, vem para jogar neste modelo que Enderson Moreira utiliza no Grêmio.

Esquema este que parece ser o único trabalhado pelo nosso técnico. Não acho o 4-2-3-1 de todo o mal, mas Enderson precisa variar o posicionamento do time em determinados momentos dos jogos para atrapalhar o adversário, além de mudar a partida quando estivermos atrás do marcador. Pelo que tem feito recentemente, nosso treinador muda os nomes mas nunca o esquema, e isso é preocupante.

Cito duas medidas que acho um erro.

– Dudu preso na ponta esquerda. Por que não o fazer jogar mais perto de Barcos e se movimentando pelo dois lados no ataque?

– Alán Ruiz no lado direito do 4-2-3-1. Nitidamente o argentino procura o meio quando está com a bola, não era melhor colocá-lo ali? E outra, os jogadores que jogam na ponta dos três armadaores, precisam ser rápidos para chegar ao ataque a também marcarem, e Ruiz não é um jogador de velocidade.

São apenas dois exemplos, mas certamente Enderson pode fazer outras mexidas ao longo das partidas e testar diversos esquemas. Com a chegada de Matías Rodriguez, ele pode até escalar o time num 3-5-2 com Zé Roberto na ala esquerda, por exemplo.

Além do mais, durante os jogos, quando o adversário entende a maneira que o Grêmio joga, falta uma melhor leitura da partida. Falta repertório ao nosso técnico.

A saída de Kleber engessa ainda mais o time quando se refere as opções no ataque. Isso somado à chegada de Giuliano e pouca criatividade do nosso treinador, fará o Grêmio ficar cada vez mais refém do 4-2-3-1.

Temos peças para jogar de várias maneiras, basta treinamento. Que nessa pausa Enderson trabalhe outras alternativas de escalação e esquema, caso contrário seremos um time previsível.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com

 

 

Para passar da Copa

A goleada no clássico e a queda na Copa deixaram suas lições. Confesso que fiquei surpreso pela manutenção de Enderson e do departamento de futebol. Não que isso fosse resolver os problemas que temos, mas sabemos que quando as derrotas acontecem é natural a substituição de nomes.

Vínhamos bem até perder o primeiro jogo da final do Ruralito, depois dali a coisa degringolou. Então veio a goleada e aí tudo o que estava certo simplesmente deixou de existir. Nos perdemos.

E evidente que a maior parte da culpa vai para o comandante, assim como também para os jogadores mais experientes que comandam o time dentro do campo e no vestiário.

A queda na Copa ‘proporcionou’ uma semana inteira de treinamentos. Uma semana no futebol é muita coisa. E pelo jeito, vai sobrar para o Luan. Seria mais fácil colocar um guri do que um cascudo no banco?

É fato que ele não jogou bem as últimas partidas, mas quem o fez? E outra, se Enderson vai adotar esse critério, de que não jogou bem sai, existem outras peças no time que deveriam ser sacadas antes de nossa jovem promessa. Peças estas que são muito mais nefastas ao time do que Luan.

Este trabalho de uma semana – independente de nomes e esquemas – deve aparecer em campo neste final de semana. Precisamos recuperar o futebol que nos fez líder do grupo da morte da Copa.

Se o Grêmio não voltar a jogar bem e o resultados não começarem a aparecer, creio que Enderson não poderá usar a pausa da Copa do Mundo para arrumar as coisas, será tarde demais.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com