Exigentes ou corneteiros?

Tiago e zaga falharam. Douglas perdeu um gol feito. Bressan tá mal. Empate ruim. Deixamos dois pontos em São Paulo. Pensamentos como estes foram comuns após o apito final no jogo de quarta-feira.

Parte da torcida, talvez com raiva por termos ficado tão perto da vitória, só abordou aspectos negativos da partida, esquecendo que fizemos um ótimo jogo contra o líder do campeonato, em seus domínios e com o Tricolor sofrendo com inúmeros desfalques, até mesmo durante o jogo.

Por que nossos erros são mais comentados que nossos acertos? Talvez a reposta seja simples: o ser humano tem atração por reclamar. Simples assim. Nada a ver com os anos de fila ou por entender sobre o futebol, o negócio é xingar e lamentar.

Por que não ter um pensamento positivista e vibrar com um Grêmio que há anos não nos dava tanto orgulho? Pelo simples fato de que não ganhamos nada? Por favor, paixão não se mede com títulos, pelo contrário, se mede com a falta deles, e parte de nossa torcida parece que só vai valorizar nosso time quando ele for campeão. Ou nem assim.

Desde sempre aprendi que com a bola rolando o nosso apoio deve ser incondicional, afinal de contas o futebol se ganha também pelo grito da torcida e com a fé cega no imponderável. Em tempos de redes sociais, as angústias e críticas ao time inundam as timelines mesmo em um momento de trinfo, onde vibrar por uma vitória e exaltar o time parece um crime.

Torcer é mais do que comemorar um gol. É estar ao lado do time a todo momento e acreditar na vitória mesmo com sete em campo e um pênalti contra. Torcer é achar que Luan é Messi. Todos são craques quando vestem a Tricolor, ao menos para mim.

Entendo as críticas e acredito que todos têm direito de se manifestar como desejam, mas exigir que um time em construção não tenha falhas soa mais com corneta do que como torcida.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

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STJD ou DOPS ?

Está no site da ESPN Brasil:

Procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schimitt anunciou no início da tarde desta terça-feira, em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, que apresentará denúncia contra o Atlético-MG por conta dos protestos da torcida que foi ao Independência no último domingo contra a arbitragem e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

“Agora tem esse caso do Atlético-MG, que está gerando polêmica, mas não é uma coisa que a gente esteja fazendo de forma direcionada ou sem critério, é cumprindo rigorosamente o que tem na lei”, continuou Schimitt, explicando os motivos pelos quais apresentará a denúncia contra o time mineiro.

O STJD resolveu dar uma de DOPS e quer censurar os atos da torcida brasileira.

Estamos novamente na ditadura?

Profissionalização da arbitragem: um caminho sem volta

Todo final de rodada é aquela mesma história: torcida, jogadores e técnicos revoltados contra os erros de arbitragens que prejudicaram sua equipe. Os mesmos que reclamam hoje, foram beneficiados com erros ontem. O clico não tem fim, assim como os erros.

As más arbitragens não são uma exclusividade do futebol nacional, mas parece que por aqui as falhas são mais frequentes. Basta uma rodada com apenas 10 jogos para inúmeros erros aparecerem.

A CBF – que não faz nada além de cuidar da Seleção – pelos motivos que todos nós conhecemos, não se importa com as peripécias de seu quadro de arbitragem.

A solução parece óbvia, mas está distante de ser tomada: a profissionalização da arbitragem. Hoje, ser árbitro de futebol, além de render uma bela quantia para os juízes que apitam as séries A e B, nada mais é que um segundo emprego. Um bico.

Com a profissionalização, além de uma dedicação maior, o aprimoramento também ganharia uma atenção especial e, como consequência, os erros diminuiriam.

Enquanto isso, perde-se tempo nas coletivas de imprensa após os jogos se falando em erros de arbitragem, quando o mais interessante seria discutir o que se passou dentro das quatro linhas.

Além é claro, de esgotar a paciência de quem ama o futebol.

Pelé tem medo de Messi?

O Pelé ou o Edson Arantes do Nascimento, como queiram, parece não ter a mesma habilidade que demonstrou com a bola nos pés quando resolve dar uma opinião sobre o futebol atual.

A última do Rei foi essa. (Pelé provoca Messi: ‘Primeiro ele tem que ser melhor que o Neymar’)

O debate na Europa já existe. Messi – para alguns – já é o maior jogador de futebol da história.

Quem não viu Pelé jogar e não sabe tanto quanto os brasileiros de suas façanhas por aqui, tem todo o direito de pensar assim. Afinal de contas, o argentino é gênio. Um jovem gênio.

Foto: Agência Estado

Se Messi manter o nível de atuações nos próximos anos será de fato o melhor jogador da história para várias pessoas. E é aí que Pelé parece temer Messi.

Para alguns, parece ser crime achar Messi melhor que Pelé. Porém, daqui alguns anos esse debate poderá vir à tona devido a tudo que o argentino fará em sua carreira.

Será que até lá Messi será melhor que Neymar?

Com a palavra o Pelé. Ou o Edson.

A violência no futebol é reflexo de nossa sociedade

Sempre quando estou vendo algum programa jornalístico junto com meu pai e é dada a informação de mais uma confusão em estádio de futebol ou de brigas de torcidas nos arredores, ele sempre me diz:

– “E tu ainda te mete em jogo.”

Antes eu retrucava, hoje não falo mais nada. Assim como qualquer torcedor que vai frequentemente ao estádio, já vi inúmeras confusões. Seja entre a própria torcida, com a do rival ou com a polícia.

O que falta é prender essa gente. Pessoas que saem de casa com o único objetivo de bater, e até matar outra pessoa, não podem frequentar espaços públicos.

O problema – além da impunidade – é que essas pessoas, quanto estão em bando, ficam mais violentas ainda.

Se o cara é violento quando está em bando, certamente ele é quando está sozinho. Entretanto, alguns só viram valentões quando estão com sua turma e a mercê da lei.

Em ambos os casos, a violência proporcionada por eles não é culpa do futebol. O futebol é apenas um meio de extravasar tal comportamento. A violência que cerca o esporte é um reflexo de nossa sociedade.

Uma sociedade violenta, sem educação, sem justiça e com outros tantos defeitos.

A carreira noturna

A vida noturna se parece – em alguns aspectos – com a carreira de um jogador de futebol.

Pego de exemplo uma camisa 9.

Nas primeiras festas que o então garoto vai, ele ainda está no time B, joga algumas partidas do campeonato estadual e quer uma chance no time de cima. Ele estranha um pouco o gramado mas quer mostrar serviço logo de cara, com isso, acaba não sendo muito exigente com os alvos femininos e acaba ficando com qualquer uma pelo simples fato de marcar o gol.

Num segundo momento, já lá pelos 20, jogando no time principal e disputando campeonatos nacionais, ele é mais seleto e acaba fazendo grandes apresentações, onde faz gol até de bicicleta, e outras nem tanto, onde um gol oriundo de um bate rebate já serve.

Aqui o rapaz começa a ter noção de jogo de equipe. Onde às vezes ele fica sem marcar mas acaba deixando os amigos na cara do gol.

Com 30 anos ele chega no auge da carreira. Jogando na Europa e disputando a Champions League, o jogador é visto por todo o mundo e acaba indo até para a Seleção. Neste período da vida, o cara está jogando tão bem que faz gol em adversários de todos os níveis, mas sempre com uma classe singular. Atingi status de craque e é assediado por vários clubes sem um matador.

Depois de sucesso no velho continente, o atleta começa a pensar na sua aposentadoria.

Chegou a hora de forrar o bolso e encerrar as atividades.

Aproveitando dos seus últimos dias como jogador, ele vai para o mercado asiático buscar a redenção final.

Cheio de experiência mundo afora, o jogador enfim pendura as chuteiras e fecha contrato com algum clube – geralmente no que ele mais gostou de jogar e tem a simpatia da torcida – para ter uma vida mais regrada e serena, só colocando em prática tudo o que aprendeu ao longo da vida.

Existem os casos em que o atleta se identifica com um clube logo cedo e permanece nele durante toda a vida, mas aí, amigos, é coisa do coração.