Só Grêmio e Corinthians disputam o Brasileirão?

Justas são as críticas que alertam que o Grêmio poderia estar mais perto do Corinthians, ou até mesmo a frente, se não houvesse escalado somente reservas – ou em algumas oportunidades nem isso – em algumas partidas do Brasileirão. Particularmente, acredito que um time misto seria mais prudente. Porém, não podemos voltar no tempo.

Com alguns tropeços da equipe paulista, o Grêmio (e não só ele) perdeu a chance de estar mais perto do líder. Este fato parece ter incomodado não somente a torcida gremista, mas boa parte da imprensa, em especial a do centro do país.

A decisão de Renato Portaluppi, embora de acordo com a direção do clube, de ter poupado titulares inúmeras vezes é alvo de crítica ferrenha e até raivosa por parte de alguns jornalistas. Neste ponto, acredito que a figura de Portaluppi também desperte este desejo de uma crítica voraz contra ele. Além de machucar nossos rivais de cidade, o Homem Gol deixou outras vítimas pelo Brasil afora.

Soma-se a isso o fato de que é muito mais cômodo criticar um clube sulista do que um do centro do país. Na mesma medida em que o Grêmio perdeu (pelo menos até este momento) chances de chegar mais perto do Corinthians, Santos, Palmeiras e Flamengo também pecaram. Destaco os elencos e o poder aquisitivo de Palmeiras e Flamengo, que deveriam ser tanto ou mais criticados que o Grêmio. E o Atlético-MG, apontado como um dos melhores elencos do país?

A campanha do Grêmio até aqui é de campeão, basta comparar com outros vencedores da era dos pontos corridos. O Corinthians é a grande exceção até o momento. A cobrança de que só o Grêmio pode deixar o Brasileirão mais competitivo ao se aproximar do líder, galgada nas boas atuações do time de Portaluppi, podem ser justas, porém, existem mais clubes que podem desbancar o time paulista e trazer mais competitividade ao Brasileirão. Que eles também mereçam críticas.

A ‘culpa’ não é só do Grêmio.

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Pelo direito de reclamar

A história se repete: cotovelo de um jogador deles lesiona um atleta nosso. Como no ano passado, a agressão passa ilesa e nem falta é marcada. Coincidência? A reação da torcida é óbvia: revolta por mais essa lesão que tira nosso melhor zagueiro da estreia na Libertadores.

Não nos resta outra atitude a não ser reclamar da FGF e por consequência dos apitadores do Ruralito. E olhem só outra coincidência: Leandro Vuaden era o árbitro no Grenal em que Mário Fernandes também se lesionou, em 2012.

Nas redes sociais e em programas esportivos, essa reclamação da torcida gremista é tratada de forma irônica e até mesmo provocativa, como se o torcedor não tivesse o direito de defender seu clube e apontar possíveis dados que comprovem uma atitude sistemática e prejudicial contra a instituição.

Mais do que isso, alguns profissionais – do alto de sua humildade e sabedoria – tratam seu público com desrespeito e não aceitam uma opinião contrária, afinal de contas, pobres ouvintes/leitores/seguidores que nada sabem.

Os gremistas – como qualquer torcedor – têm o direito de defender seu clube e querer pautar o debate na mídia é mais um fator a ser explorado em um momento em que as redes sociais agendam a pauta jornalística.

Nós podemos sim acreditar que essas coincidências servem ao outro clube da cidade. Quem me prova o contrário?

Felipão mentiu?

A grande celeuma do jogo de ontem foi a frase dita por Felipão após ser expulso pelo árbitro Francisco Silva Neto. A sentença “Chico Colorado”, proferida por um Felipão irritado após reclamar seguidamente de faltas não marcadas no estreante Braian Rodriguez, virou o assunto da partida.

As duas palavras se transformaram na pauta principal das redes sociais e da imprensa, com comentaristas pedindo até um processo contra Scolari. Num primeiro momento cabe avaliar se chamar alguém de colorado é ofensa. Eu não acho. Ah, mas Felipão quis ofender o árbitro e por isso o chamou de colorado. Seria esse o motivo da frase?

Todo meio esportivo do RS conhece Francisco Silva Neto como Chico Colorado. O apelido não nasceu ontem e segue o juiz há anos. A própria imprensa, nos corredores dos veículos, o trata assim. Só não o faz no ar porque é de conhecimento geral a alcunha referida ao apitador.

Felipão não mentiu. Apenas disse o que todo mundo diz no dia a dia, só que não com os holofotes que Scolari atrai. A partir daí, as críticas sistemáticas que sofre, regadas a um ódio pessoal e até mesmo clubístico, tomarão ainda mais volume.

Que batam, que sigam batendo, Scolari aguenta. Porém, não sejam hipócritas ao falar que Felipão quis ofender o juiz ao chamá-lo de Chico Colorado. Ele apenas o tratou pelo apelido.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

O 7×1 da imprensa

O Brasileirão está de volta. Com ele, a cobertura jornalística esportiva se volta para os clubes. Não quero abordar aqui as notícias do dia a dia, que parecem estar cada vez mais reféns da busca desenfreada por cliques, curtidas e seguidores, e sim falar da análise do jogo.

A Copa do Mundo nos mostrou belos e maus exemplos de como se contar a história de uma partida. Se por um lado vimos o uso da tecnologia, de estatísticas, mapas de calor e táticos nas análises, do outros tivemos o uso de velhos clichês como se o torneio fosse o de 1950.

Claro que alguns chavões ainda se fazem valer, mas penso que não podemos mais explicar o resultado de um jogo usando os mesmos métodos de antigamente. Se o esporte evoluiu, sua cobertura também precisa seguir o mesmo caminho. Além disso, os profissionais precisam acompanhar tais mudanças, se qualificando e buscando a cada dia mais embasamento para seu trabalho.

Sinto falta de análises táticas e uma boa leitura da partida por parte da maioria de nossos comentaristas. Os bons comentários ocorrem, é claro, mas isso deveria ser mais presente, ao invés de observações cruas. Outro fato a se lamentar, é que a maioria das análises modernas e com qualidade está na TV fechada, a qual nem todos têm acesso.

Cito ainda a falta de conhecimento mais amplo sobre os jogadores que estão em campo. Quanto mais informações o jornalista (ou ex-atleta que ocupa a função de comentarista) conter sobre quem está jogando, mais fácil será ele analisar seu comportamento tático e técnico. Até porque, o público atualmente também tem acesso as informações, coisa que não ocorria no passado, isso faz com que ele possa tirar suas próprias conclusões sobre o que está vendo.

Posso estar sendo exigente, não sei se de fato o público que consome futebol busca isso durante as transmissões, mas é notório que num esporte em que todo mundo dá seu palpite, a imprensa precisa dar argumentos de qualidade para que cada um possa somá-los à sua opinião.

A grande mídia deve estar atenta ao crescimento de sites independentes, como o nosso, por exemplo, em que grandes análises já são feitas. Eles atraem a cada dia mais torcedores, que se veem carentes de tal conteúdo nos principais veículos do país.

Se a derrota contra a Alemanha fez todo mundo refletir sobre o nosso futebol, penso que a mesma reflexão deve ser feita sobre a nossa imprensa. Uma cobertura com qualidade, certamente ajudará nessa revolução que o futebol brasileiro tanto necessita.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com