E as dúvidas do dia seguinte?

Num passado recente (e usarei a minha geração como exemplo), quando um casal era formado em festas, ou em outra situação qualquer, o que fazíamos para manter contato? Trocávamos telefones residenciais – e ainda dizíamos em que horário poderiam ocorrer as ligações.

Atualmente, logo depois do primeiro beijo que uniu o casal, já são trocadas, além do número do celular (WhatsApp), as redes sociais que cada um possui. A partir daí, o mistério em tentar descobrir mais sobre a pessoa que nos atraiu acaba caindo por terra em não mais que meia dúzia de cliques.

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Evidente que o desejo por saber mais sobre alguém que nos conquistou é um fator determinante nesta hora, todavia, no tempo em que ficávamos horas e horas no telefone residencial tentando desvendar mais sobre o nosso par, essa descoberta era mais atraente, por assim dizer. Existia mais empenho em destrinchar os gostos, preferências, medos e angústias de quem estava do outro lado da linha. Havia mais flerte.

Hoje em dia, basta uma visita no perfil da pessoa no Facebook e já – às vezes erroneamente – traçamos tudo sobre a vida do outro, seu perfil e nosso futuro (ou não!) com ela. Onde estão os mistérios? Onde está a dúvida do ‘será que eu devo ligar?’, ‘será que ela vai me ligar?’. As relações estão cada vez mais frias, como uma mensagem dizendo “Oi, te adicionei. Beijo!”, e às vezes esse será o diálogo inicial e final de uma pós ficada. É o fim do flerte inicial que pode levar a uma futura relação?

 

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A pior ressaca

A vida noturna é uma das melhores coisas que eu conheço. Quem é frequentador assíduo dela sabe do que eu estou falando. É nela que tudo acontece. Também é nela que tiramos sempre um aprendizado a ser implantado em nosso dia a dia.

A noite também rende exageros no álcool. Quem vive na boemia já passou por maus bocados no dia posterior a um trago forte. Entretanto, pior que aquela dor de cabeça insuportável e o gosto de guarda-chuva na boca, só mesmo a ressaca moral.

Mas nem sempre ela está ligada ao abuso do álcool. Em algumas oportunidades, fazemos besteira pelo simples fato de tentar atingir, machucar ou esquecer alguém.

Foto: fodecast.com.b

Foto: fodecast.com.b

Evidente que a grande ingestão de álcool acaba sendo um facilitador para que a ressaca moral ocorra, mas ela não é álibi. Colocar a culpa na bebida acaba sendo um argumento raso e simplório por parte de quem fez a besteira.

A ressaca moral é cruel. Se vem acompanhada da dor de cabeça, fica insuportável. Passar dias pensando em uma atitude feita por impulso não é nada fácil. E aí, nem o álcool ajuda.

Só uma boa dose de arrependimento, misturada com um aprendizado a ser assimilado pode fazer com que ela seja amenizada. E o tempo, é claro.

A noite também nos engana

Quem tem uma vida noturna frequente e uma certa idade, sabe que na boemia as coisas nem sempre são o que parecem ser.

Futilidade, falsidade e falsas impressões são só algumas coisas que rolam enquanto a maioria das pessoas está dormindo.

Claro que também existem as coisas boas. Mas cá entre nós, está cada vez mais raro achar pessoas interessantes na noite – pode ser que eu esteja ficando velho também, e quanto mais velho menos paciência para algumas coisas temos.

Com o tempo, vamos pegando a ‘malandragem’ da noite, e ao mesmo tempo vamos ficando cada vez mais desconfiados de algumas situações que ocorrem com a gente.

Exemplifico.

Na noite estamos sempre com o desconfiômetro ligado

Você (homem) está parado na copa da festa e uma mulher linda simplesmente puxa papo com você:

“Não entendo por que os homens têm que encher a cara de cerveja para chegar em uma mulher…”

O homem debate o tema e troca meia dúzia de frases com a dama.

De repente, simplesmente se despede e toma outro rumo dentro da casa noturna.

Depois de mais algumas doses de cerveja, passa outra vez pela mulher – que já não está mais sozinha e troca beijos demorados com outro homem e pensa:

“A mulher é linda e meu deu uma indireta mais direta que um soco no rosto. Perdi a chance.”

No dia seguinte, o homem que foi abordado pela mulher acorda e além de sentir a boca seca pela quantidade exorbitante de álcool que ingeriu na noite anterior, se culpa por não ter trocado mais algumas palavras com a moça.

A noite também é cruel, às vezes. Ela faz com que a gente – por experiências e desilusões passadas – tome certas atitude visando não cometer os mesmos erros do passado.

E assim vamos indo.

Afinal, como diz aquela música, ‘a noite nunca tem fim…

A carreira noturna

A vida noturna se parece – em alguns aspectos – com a carreira de um jogador de futebol.

Pego de exemplo uma camisa 9.

Nas primeiras festas que o então garoto vai, ele ainda está no time B, joga algumas partidas do campeonato estadual e quer uma chance no time de cima. Ele estranha um pouco o gramado mas quer mostrar serviço logo de cara, com isso, acaba não sendo muito exigente com os alvos femininos e acaba ficando com qualquer uma pelo simples fato de marcar o gol.

Num segundo momento, já lá pelos 20, jogando no time principal e disputando campeonatos nacionais, ele é mais seleto e acaba fazendo grandes apresentações, onde faz gol até de bicicleta, e outras nem tanto, onde um gol oriundo de um bate rebate já serve.

Aqui o rapaz começa a ter noção de jogo de equipe. Onde às vezes ele fica sem marcar mas acaba deixando os amigos na cara do gol.

Com 30 anos ele chega no auge da carreira. Jogando na Europa e disputando a Champions League, o jogador é visto por todo o mundo e acaba indo até para a Seleção. Neste período da vida, o cara está jogando tão bem que faz gol em adversários de todos os níveis, mas sempre com uma classe singular. Atingi status de craque e é assediado por vários clubes sem um matador.

Depois de sucesso no velho continente, o atleta começa a pensar na sua aposentadoria.

Chegou a hora de forrar o bolso e encerrar as atividades.

Aproveitando dos seus últimos dias como jogador, ele vai para o mercado asiático buscar a redenção final.

Cheio de experiência mundo afora, o jogador enfim pendura as chuteiras e fecha contrato com algum clube – geralmente no que ele mais gostou de jogar e tem a simpatia da torcida – para ter uma vida mais regrada e serena, só colocando em prática tudo o que aprendeu ao longo da vida.

Existem os casos em que o atleta se identifica com um clube logo cedo e permanece nele durante toda a vida, mas aí, amigos, é coisa do coração.

Situações #5 – O veterano em ação

Como de praxe, Bartolomeu e Demétrio foram numa tradicional festa que ocorre todo mês numa badalada casa noturna de Porto Alegre.

Pela segunda vez consecutiva, viram um personagem ímpar no ambiente: um senhor de idade – entre uns 65 e 70 anos – fazendo a mesma festa que eles.

Sempre com um copo de cerveja na mão, o veterano circulava por todos os ambientes.

Porém, o fato que mais chamou atenção de Bartolomeu e Demétrio foi a atitude do senhor em relação as mulheres.

Assim como fizera na primeira festa que foi visto pela dupla de amigos, o senhor parava para conversar e, em alguns casos até chamava para dançar, todas as mulheres que cruzavam seu caminho.

O veterano não parava quieto. Trovava todas as gurias – algumas com idade para serem suas filhas, ou até mesmo netas.

A reação das meninas era sempre uma mistura de surpresa com bom humor. Rara foi a mulher que tratou o veterano de forma má educada. Até por uma questão de respeito com aquele senhor.

O fato de o veterano ter tal atitude – de ir para uma festa de gente mais jovem e parar feito um semáforo todas as mulheres que encontrava – fez com que a dupla de amigos sentisse uma admiração instantânea pelo senhor.

Até o cumprimentaram, dando incentivo para mais uma conversa com outra menina – que mais uma vez não foi bem sucedida.

Mas ele seguiu fazendo o que fizera a noite toda, o que fizera na festa anterior e o que, provavelmente, fará na próxima festa: curtindo.