Eu, a chuva e os Stones

A pergunta que mais respondi hoje foi “como foi o show?”, ou melhor, tentei responder. Quando foi anunciado oficialmente que os Rolling Stones tocariam em Porto Alegre, eu e milhares de fãs sabíamos que se tratava de uma oportunidade única – e não por achar que os caras fossem morrer (cada dia mais duvido disso) agora, e sim porque era impossível crer que PoA estava no roteiro da turnê.

Como nunca tinha visto os caras, ou ‘velhinhos’, tinha certeza absoluta que ia ficar completamente maluco quando o primeiro acorde fosse disparado, mas foi mais que isso. A chuva que foi intensa horas antes do show tinha cessado, mas antes de Jumpin’ Jack Flash acabar ela voltou com tudo. Foi como se os deuses do rock derramassem uma poção sobre a banda e público fazendo das 2h10min da noite do dia 02/03/2016 um êxtase coletivo.

Carlos Lopez

Foto: Carlos Lopez/rollingstones.com

Encantamento este que ainda mora em cada alma que esteve no show de ontem. Estou anestesiado. Não consigo tirar a minha mente de cada momento que vivi vendo a maior banda de rock da história em seu esplendor. É lugar comum falar do profissionalismo dos caras, mas ontem, esse elo que foi a chuva – por vezes torrencial – conectou banda e público de uma maneira inexplicável.

Cada gota d’água amenizava o calor que nossas almas foram envolvidas num espetáculo proporcionado por músicos carismáticos, talentosos, felizes e que estavam ali para se molhar conosco. Queriam curtir o show como se fossem uma banda de garagem buscando seu lugar ao sol. E conseguiram mais que isso. Marcaram a vida de todos para sempre.

A ressaca de hoje é cerveja, claro, mas é também uma busca por tentar entender o que eu presenciei ontem. Sobre a pergunta que inicia este texto, minha reposta é simples: não sei.

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