55 mil vozes pela glória

A vida nos proporciona momentos únicos: o nascimento de um filho, a consolidação de um grande amor, um almoço de domingo em família, viver as alegrias de nossos amigos etc. O futebol faz parte disso. É através dele que vivemos as mais variadas emoções. As derrotas nos fortalecem e fazem com que valorizemos as conquistas, as quais somos parte através do nosso apoio que vem das arquibancadas.

Nesta quarta-feira viveremos mais uma noite única, e em especial os 55 mil gremistas que irão testemunhar a nossa quinta final de Libertadores. Precisamos ter a exata compreensão deste momento. Não vamos simplesmente ir ver o jogo do Grêmio. Não vamos assistir a uma partida comum. Não se trata disso.

Ducker

Nós seremos fundamentais nesta final. E para isso, precisamos ter a ciência de que não interessam nomes e preferências. O que importa é o Grêmio! Cada erro merece um aplauso de incentivo. Cada acerto uma manifestação de apoio. É o Grêmio decidindo a Libertadores. Somos nós contra eles. É o sonho de conquistar a América mais uma vez. A sinergia torcida-time fez com que chegássemos na final, e agora ela precisa ser mantida e ampliada nesta noite história a qual faremos parte. Nós seguiremos fazendo a diferença!!!

A conquista do tricampeonato depende do meu grito. Do teu apoio. Do nosso alento!!! Faça valer o teu ingresso. Pense nos queridos gremistas que de outro plano torcem por esse título. Torça pelos milhões de gremistas espalhados pelo mundo. Represente os que não conseguiram estar entre os 55 mil. Alente incessantemente!!!

Vamos viver este momento único fazendo o que de melhor sabemos: torcendo pelo Grêmio.

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Pelo direito de reclamar

A história se repete: cotovelo de um jogador deles lesiona um atleta nosso. Como no ano passado, a agressão passa ilesa e nem falta é marcada. Coincidência? A reação da torcida é óbvia: revolta por mais essa lesão que tira nosso melhor zagueiro da estreia na Libertadores.

Não nos resta outra atitude a não ser reclamar da FGF e por consequência dos apitadores do Ruralito. E olhem só outra coincidência: Leandro Vuaden era o árbitro no Grenal em que Mário Fernandes também se lesionou, em 2012.

Nas redes sociais e em programas esportivos, essa reclamação da torcida gremista é tratada de forma irônica e até mesmo provocativa, como se o torcedor não tivesse o direito de defender seu clube e apontar possíveis dados que comprovem uma atitude sistemática e prejudicial contra a instituição.

Mais do que isso, alguns profissionais – do alto de sua humildade e sabedoria – tratam seu público com desrespeito e não aceitam uma opinião contrária, afinal de contas, pobres ouvintes/leitores/seguidores que nada sabem.

Os gremistas – como qualquer torcedor – têm o direito de defender seu clube e querer pautar o debate na mídia é mais um fator a ser explorado em um momento em que as redes sociais agendam a pauta jornalística.

Nós podemos sim acreditar que essas coincidências servem ao outro clube da cidade. Quem me prova o contrário?

Não sabemos mais torcer

Meu gremismo veio de família. Já no berço fardava a camisa tricolor e o amor pelo Grêmio aconteceu sem ao menos eu entender o que era futebol. A torcida, aquela que temos de maneira incondicional ainda na infância, me levou a acompanhar ainda mais o clube no seu dia a dia. Sendo assim, me considero um torcedor ‘doente’. Não mais gremista do que qualquer outro torcedor, mas apenas um cara que busca o melhor para o clube em qualquer situação.

Torcer nada mais é do que acreditar que mesmo na dificuldade vamos vencer. É também apontar erros buscando a correção dos mesmos para que vitória venha. Mas é, acima de tudo, ser positivista sempre. É ter aquele sentimento despertado ainda na infância e que nos cega num momento de descrença e que nos faz acreditar no inviável.

Atualmente, onde todos têm voz através das redes sociais, essa torcida (de todos os clubes) parece estar em extinção. O que vemos – principalmente em dias de resultado negativo – é uma enxurrada de pessimismo e críticas infundadas sobre qualquer aspecto que compreende o time e a instituição. Claro que sou favorável a livre manifestação, mas até que ponto essa intolerância está ligada ao nosso sentimento de torcedor? Por que a raiva, a cobrança excessiva e o negativismo reinam absolutos na timeline?

Meu sentimento é que perdemos o dom de torcer. Não temos mais a capacidade de alentar o time independente da situação. Nos tornamos insatisfeitos, revoltados e sem aquela paixão que nasce desde cedo pelo time do nosso coração. Além disso, perdemos o respeito por opiniões diferentes das nossas e o poder de um debate sem partir para a imposição de uma ideia goela baixo – mal que vale para outros aspectos do nosso cotidiano.

Em uma sociedade que tem voz e parece querer manifestar apenas suas frustrações, o futebol é mais uma vítima da amargura presente no nosso dia a dia e que é reverberada nas redes socais. Não pensamos, não debatemos, não respeitamos e não torcemos.

Originalmente publicado em Grêmio Libertador 

Os ‘nunca tá bom’

Ah, a internet. Adoro esse negócio de todo mundo ter voz e poder ser seu próprio veículo, embora na maioria das vezes publicando inverdades. Fato é que a democracia proporcionada por ela é motivo para comemoração. Todos opinam sobre tudo e principalmente sobre o esporte bretão.

O que me chama a atenção acompanhando as redes sociais oficiais do Grêmio e a repercussão com ações promovidas pelo clube, é aquela galera que nunca está satisfeita. Antes de qualquer comentário positivo sobre a postagem, já saem ferozmente botando algum defeito ou criticando a ação realizada. É aquela coisa do copo sempre meio vazio.

E na maioria dos casos a má vontade não vem junto com uma sugestão, por exemplo. É a crítica pura, como se tivessem prazer em fazê-la. O leque sobre as queixas é variado e quem tem por hábito passar um tempo nas redes sociais já identificou parte dessa galera que é eternamente insatisfeita e com uma má vontade ímpar sobre qualquer ato feito pela instituição.

Penso que todos têm liberdade para opinar, mas ao mesmo tempo acredito que é improdutivo apontar defeitos sem ao menos ter uma sugestão para a melhoria. ‘Ah, mas eu não conheço ninguém no Grêmio’. Isso não é desculpa. Pelas próprias redes sociais você pode dar sugestões, até porque o clube leve em consideração a opinião da torcida em todos os materiais que produz.

Reitero que todos podem se manifestar, mas não tenho mais paciência para essa turma que só sabe reclamar. Se não querem ajudar, ao menos não atrapalhem.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

Exigentes ou corneteiros?

Tiago e zaga falharam. Douglas perdeu um gol feito. Bressan tá mal. Empate ruim. Deixamos dois pontos em São Paulo. Pensamentos como estes foram comuns após o apito final no jogo de quarta-feira.

Parte da torcida, talvez com raiva por termos ficado tão perto da vitória, só abordou aspectos negativos da partida, esquecendo que fizemos um ótimo jogo contra o líder do campeonato, em seus domínios e com o Tricolor sofrendo com inúmeros desfalques, até mesmo durante o jogo.

Por que nossos erros são mais comentados que nossos acertos? Talvez a reposta seja simples: o ser humano tem atração por reclamar. Simples assim. Nada a ver com os anos de fila ou por entender sobre o futebol, o negócio é xingar e lamentar.

Por que não ter um pensamento positivista e vibrar com um Grêmio que há anos não nos dava tanto orgulho? Pelo simples fato de que não ganhamos nada? Por favor, paixão não se mede com títulos, pelo contrário, se mede com a falta deles, e parte de nossa torcida parece que só vai valorizar nosso time quando ele for campeão. Ou nem assim.

Desde sempre aprendi que com a bola rolando o nosso apoio deve ser incondicional, afinal de contas o futebol se ganha também pelo grito da torcida e com a fé cega no imponderável. Em tempos de redes sociais, as angústias e críticas ao time inundam as timelines mesmo em um momento de trinfo, onde vibrar por uma vitória e exaltar o time parece um crime.

Torcer é mais do que comemorar um gol. É estar ao lado do time a todo momento e acreditar na vitória mesmo com sete em campo e um pênalti contra. Torcer é achar que Luan é Messi. Todos são craques quando vestem a Tricolor, ao menos para mim.

Entendo as críticas e acredito que todos têm direito de se manifestar como desejam, mas exigir que um time em construção não tenha falhas soa mais com corneta do que como torcida.

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

A corneta está vencendo

Quero pegar de gancho o outro lado da história envolvendo o lateral Fabrício, do nosso rival: o da torcida. E não a que veste vermelho, mas as brasileiras num todo. E inicialmente quero te perguntar: o que te faz ir ao estádio?

Para mim, ir ao jogo do Grêmio é mais que um simples programa. É um compromisso, uma religião. Só algo muito grave me deixa de fora da Arena. Além da partida propriamente dita, encontrar os amigos, beber aquela ceva gelada e botar os assuntos em dia também são fatores primordiais nesse compromisso.

Dentro da Arena, procuro ajudar o Grêmio a conquistar mais uma vitória, e nada me irrita mais do que torcedor corneteiro. Aquele cara que com cinco minutos de jogo já resmunga por causa de um passe errado já me tira do sério. Não quero pautar ninguém sobre como se portar no estádio, mas até que ponto este tipo de comportamento ajuda o time? A vaia, ao meu ver, atrapalha.

Saliento que esse é um comportamento do torcedor brasileiro e que ocorre desde sempre. Mas mirando para os vizinhos argentinos, confesso sentir inveja da maneira que eles torcem e vivem o futebol. Lá, a relação com o time é sanguínea e quem vai à cancha alenta o time os 90 minutos. O máximo que fazem quando a equipe não corresponde é se calarem. Vaia, jamais. A paixão fala mais alto e o papel de ser parte do clube é cumprido a risca.

Claro que o futebol acaba sendo uma válvula de escape para nossos problemas pessoais, mas descontar isso na equipe que tu ama me parece erro. Evidente que a manifestação de insatisfação deve ocorrer, mas no meu ponto de vista após o apito final. Acredito que quando vamos ao estádio, estamos ao lado do nosso time e pela paixão. Somos parte daqueles 11 que estão em campo e é nosso dever ajudá-los.

Neste novo cenário do futebol brasileiro, onde os ingressos estão cada vez mais caros e o perfil de quem vai ao estádio parece mudar, a única coisa que ainda sobrevive ao tempo é a corneta. Ela parece ser invencível

Originalmente publicado em gremiolibertador.com

Eles nunca entenderão

Estava trabalhando, tirando fotos de um evento que cobria. De repente, meu celular disparou. Em um espaço de 15 minutos não parou um segundo. Eram ligações, mensagens via WhatsApp, Facebook, Twitter e SMS. Ocupado devido à tarefa a qual realizava, rapidamente li uma delas, que continha duas palavas: “Ele voltou”.

Imediatamente sorri, vibrei, fiquei completamente louco. Queria sair gritando pela rua que Felipão estava de volta. Um misto de sentimentos inexplicáveis que comecei a sentir ali e parecem não ter mais fim. Quem viveu os anos 90 sabe do que estou falando, porém, a volta de Scolari também despertou os mesmos sentimentos nos gremistas mais jovens. O momento da notícia não era uma simples manchete jornalística, ela transcendia o futebol.

Mais uma das tantas loucuras que vivemos teve início nesta terça-feira. Adversários e imprensa tentam explicar tamanha euforia em que se encontra a torcida gremista. Os primeiros, incrédulos e com inveja, fazem piadas, os segundos tentam contar os fatos sem entender muito o que está acontecendo, e alguns de fora da aldeia fazem críticas à devoção da torcida.

Podem evocar 7×1, dizer que ele está ultrapassado, dizer que acolhemos um derrotado (?), todas as iniciativas de tentar depreciar e entender este atual momento do Grêmio serão fracassadas. Só nos gremistas sabemos o que representa tal volta. Só quem veste esta jaqueta tricolor tem noção do que foi ver Scolari falando como técnico do Grêmio mais uma vez.

Criem piadas, crises, factoides, façam de tudo, mas invejem. Invejem com todas as forças cada torcedor tricolor, porque vocês nunca entenderão o que é ser gremista.

Publicado originalmente em gremiolibertador.com