Harlem Shake dos desempregados

De ZH.com:

Justiça demite funcionários após Harlem Shake em fórum de Novo Hamburgo

Vídeo de servidores dançando em cima de processos foi para a rede

A moda do Harlem Shake, vídeo que virou febre na internet, não ficou só nas risadas em Novo Hamburgo, Vale do Sinos. Seis funcionários da Justiça foram demitidos após a montagem feita em um cartório da 2ª Vara Cível da cidade cair na rede e causar enorme repercussão.

A justificativa para a demissão dos trabalhadores – que não eram concursados, apesar de prestar serviço público – foi o comportamento, considerado “inaceitável” pela diretora da unidade, Traudi Beatriz Grabin.

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A internet tem dessas coisas. O povo quer entrar na onda e acaba postando conteúdos para simplesmente fazer parte da brincadeira.

Tivemos inúmeros vídeos com pessoas dançando o Harlem Shake, até aí nenhum problema.

Fato é que o pessoal ao dançar em cima dos processos passou um pouco dos limites e a conta veio cara.

Agora vão dançar ao som de outra música.

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Tremendão dá aula em Porto Alegre

Quando foi anunciado o show de Erasmo Carlos em Porto Alegre, pensei na hora: sou obrigado a ir.

Em primeiro lugar porque o cara é um mito, e num segundo momento devido a idade do rapaz. Vai que numa dessas ele nos deixa de uma hora para outra!(?)

Num Opinião lotado, Erasmo deu aula de rock and roll. O público, que ia dos 18 aos 80, fez o show junto com ele, até porque é fácil cantar todos os seus clássicos. Além do mais, Erasmo sabe como ninguém cativar sua plateia.

Durante os intervalos das músicas, uma história aqui, um ‘ensinamento’ ali, e assim o show foi se desenrolando. Num dos mais marcantes, Erasmo diz: “O sexo é o primeiro caminho para o amor”, e o público vai ao delírio.

Foto: erasmocarlos.com.br

Em plena forma, Tremendão fez um show cheio de energia e ao mesmo tempo emocionante. Sua banda de apoio, eficiente, o ajuda a manter a pegada rock and roll.

Ao final do show, Erasmo foi cumprimentar as pessoas que estavam no gargarejo. Saí do meu lugar – longe do palco – eu fui até lá para apertar a mão do homem. Foi a única maneira que achei de agradecer pela aula que tinha recebido nas quase duas horas de espetáculo.

O Tremendão, um dos pilares do rock nacional, mais uma vez deixou seus ensinamentos por aqui e provou que a simplicidade e a autenticidade ainda são primordiais para quem quer fazer sucesso. E ele, mais do que ninguém, faz isso naturalmente.

Espero que possa ter outra aula dessas em breve.

Obrigado, professor Erasmo!

 

Situações #2 – A punhalada de Negra Ângela

(21h43min – sexta-feira de carnaval)

A noite escaldante do primeiro dia da maior festa popular brasileira fez com que Bartolomeu e Aristides saíssem para tomar uma cerveja no primeiro boteco que avistassem pelo caminho. Não satisfeitos só com a cerveja gelada, eles decidiram estabelecer outro pré-requisito para escolher em qual bar iriam se entorpecer: tinha que ter samba – afinal de contas era carnaval.

Depois de quase meia hora a procura de um lugar que preenchia essas duas características, adentraram num ambiente em que o pandeiro era batido com maestria, o cavaquinho exalava notas fortes e a viola dava todo o embalo para que o samba fosse “firmado”.

Sentados numa mesa a direita do palco, Bartolomeu e Aristides saboreavam suas cervejas ao som de marchinhas de carnaval e outros sambas pedidos pelo público ali presente. Na mesa ao lado, uma dupla de senhores – que pareciam ter quase uns 80 anos, com caras de boêmios e com uma pitada de sofrimento em seus olhares – também curtia a trilha sonora regada à cerveja gelada.

Quando da viola partiram os primeiros acordes de “Negra Ângela”, os velhos boêmios aplaudiram o início da canção como quem ovaciona a entrada de seu time em campo num clássico. Bartolomeu e Aristides – apreciadores da canção que acabara de começar – também se uniram na avalanche de aplausos que ecoou no bar.

A dupla de senhores, assim que os aplausos cessaram e a música enfim tomou corpo, cruzou seu olhar em direção a mesa de Bartolomeu e Aristides. Quando os olhares se encontraram, os boêmios, num gesto que mostrava o quanto seus olhares eram sofridos – seja por uma paixão renegada ou pelas mazelas da vida – transformaram suas palmas da mão em punhais e as direcionaram contra seus peitos.

Os dois senhores pareciam voltar no tempo. “Negra Ângela” fez com que os experientes boêmios relembrassem seus amores, perdidos ou não, em meros quatro minutos. Bartolomeu e Aristides, ao contrário, avançaram no tempo e se viram como aquela dupla ali sentada. Que num futuro lembrará sempre de suas paixões, perdidas ou não, ao som da música originalmente interpreta de forma brilhantemente por Neguinho da Beija-Flor.